Segunda reprise de Da Cor do Pecado gera polêmica; relembre

Quando Da Cor do Pecado foi escolhida para uma segunda reprise no Vale a Pena Ver de Novo, foi aquela polêmica. Afinal, a novela foi escolhida para suceder Chocolate com Pimenta, sendo que ambas as novelas já haviam sido reprisadas à tarde. E o acervo da Globo é bastante vasto, até mesmo de novelas recentes que também mereciam uma chance.

O importante é: fodase, eu fiquei muito feliz com a escolha, apesar de tudo. Afinal, eu acompanhei a primeira reprise em 2007, e vou te contar: poucas vezes passei tanta raiva assistindo à Globo. Era época dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, que a emissora exibiu. E, para variar, os jogos tinham total preferência na grade. Havia capítulos que duravam pouco mais de 15 minutos!

Já falei isso aqui, e ao menor vacilo estarei dizendo de novo: trata-se da minha novela preferida. E olha, não é a melhor que já foi feita (na minha humilde opinião, Xica da Silva ainda é  a melhor), mas é a minha preferida.

Da cor do pecado foi exibida originalmente em 2004, que eu considero um dos melhores anos da minha vida. Talvez seja por isso que eu gosto tanto dela!

Claro, a novela tem várias outras qualidades, tanto que é até hoje uma das maiores audiências da década, e foi a primeira a desbancar A Escrava Isaura como a novela mais vendida da Globo. Teve média de 43 pontos (nem Avenida Brasil conseguia marcar isso com facilidade), marcando 50 com picos de 55 em seu último capítulo. A primeira reprise obteve 19 pontos. Já Chocolate com Pimenta, sua antecessora na segunda reprise, despediu-se com uma média de 15 pontos (ou seja, abaixo da meta estabelecida pela Globo, que era de 18).

Foi a primeira novela de João Emanuel Carneiro, que mostrou uma vitoriosa ousadia ao escrever a primeira novela com uma protagonista negra na Globo e Taís Araújo viria a quebrar outros recordes depois disso. Teve bonitas cenas gravadas no Maranhão, o que na época causou uma pequena polêmica. Dizem que a escolha do estado não foi por acaso, mas sim uma maneira subliminar de preparar o terreno para apoiar a candidatura de Roseana Sarney à presidência, que felizmente acabou não concorrendo no final das contas.

Para o elenco, a Globo confiou a João Emanuel nomes de grande relevância como Lima Duarte e Giovanna Antonelli. Ela, pela primeira vez, em um papel de vilã. No auge da carreira, seus últimos papeis na tevê haviam  sido a  Jade em O Clone e Anita Garibaldi em A Casa das Sete Mulheres.

A direção foi assinada por Denise Saraceni, que embarcou no texto de João Emanuel Carneiro e conseguiu dar fotografia e edição jovens, ideais para a novela.

Aliás, todas as novelas de João Emanuel Carneiro são parecidas, têm o mesmo esqueleto. Ele se repete muito. Eu sempre soube disso e particularmente não me importo, mas as semelhanças de Avenida com Da cor do pecado, por exemplo, existiram e não passaram em branco. Por exemplo, a Bárbara nada mais é do que uma ancestral da Carminha, só que com orçamento de novela das sete e menos barraqueira. A história de querer dar um golpe no milionário, de casar grávida de outro e atribuir a paternidade ao pobre (rico) coitado, sendo que o filho é de seu amante… Se fôssemos destacar todas as semelhanças, não íamos acabar hoje.

Hoje, todas as novelas do autor JEC estão no Globo Play, embora Da Cor do Pecado e Cobras e Lagartos estejam com uma qualidade de imagem muito ruim, além de picotadas pela edição do Vale a Pena Ver de Novo.

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