Mulher se impressiona com crianças loiras pedindo esmola, pede ajuda na internet e gera discussão sobre racismo

Uma postagem no Facebook, de uma mulher que se impressionou ao ver crianças loiras em situação de rua e pediu ajuda para que elas fossem contratadas por alguma agência de modelos, acabou gerando um intenso debate sobre racismo.

“Boa tarde, gente. Vindo hoje para o trabalho, aqui na Lapa (São Paulo – SP) vi essas crianças com a mãe pedindo ajuda, eu achei eles TÃO LINDOS que, com a autorizalão da Dalila, mãe deles, resolvi tirar fotos e publicar na internet. Já vi isso acontecer, quem sabe essas fotos chegam em alguém influente ou que lida com esse lance de agência de modelo. Me ajuda aí, vamos tentar ser agentes de mudança na vida deles!”

A autora do apelo é a bancária Ana Paula Diroteldes, que tem três filhos negros, e diz que pensou neles quando viu os filhos de Dalila pedindo ajuda. Ela não esperava que a publicação fosse causar tanta discussão.

Enquanto algumas pessoas compartilharam com mensagens de apoio, outras viram racismo velado na iniciativa da mulher, afirmando que a solidariedade dela veio simplesmente do fato de que se tratavam de crianças brancas e de olhos claros, enquanto tantas outras, negras e sem as mesmas características europeias, não causam a mesma comoção.

“Eu fiquei encantada. Eles são lindos, crianças bacanas, apesar de tudo isso”, contou Ana Paula ao repórter da Record. “Fico pensando até onde vai a pobreza do ser humano. A pessoa que pensou ‘ah, ela é negra e tá ajudando um branco’, é mais racista do que qualquer outro racista. Eu só poderia ter compartilhado se eles fossem negros? Desculpa, mas eu não tenho tempo pra isso”.

Filhas de ciganos, a crianças vivem com os pais, e não possuem casa ou endereço fixo. Elas acompanham a mãe Dalila, que vende panos de prato a transeuntes nas ruas da região da Lapa, e diz que sempre a beleza de seus filhos sempre chamou a atenção das pessoas.

A reportagem levou as crianças a uma agência de modelos, e depois a um parque de diversões, onde que eles nunca tinham pisado.

Nenhum dos três em idade escolar sabia ler, nem mesmo a mais velha, única deles que já tinha frequentado a escola.

A dona da agência de modelos que fez o book das crianças que, embora tenha visto talento nelas, todas precisam estar matriculadas na escola e vacinadas, para poderem trabalhar na área e seguir carreira.

Assista à reportagem completa:

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