Kiko disse que “estava disposto a perdoar” o criador de ‘Chaves’; entenda

Em 2011 começavam os preparativos para a comemoração aos 40 anos de Chaves (e aí também inclui-se o aniversário de Quico, Chiquinha e outros, que surgiram todos juntos). A Televisa estava organizando uma justa homenagem ao seriado, e tratou de montar aquela festança, com chocolate, sanduíches, e todas aquelas delícias de festa.
Na época, muita gente boa se questionou: será que vão chamar o Kiko? Mas vamos pensar bem: será que deveriam?
Todos sabem o complicado histórico envolvendo o ator Carlos Villagrán, intérprete do filho da Dona Florinda, que deixou o programa em 1979 e nunca mais voltou. E desde então, a sua relação com os demais colegas do elenco, especialmente Chespirito e Florinda Meza foi azedando cada vez mais, com o ator do Kiko volta e meia ressuscitando mágoas pessoais (Kiko e Florinda eram namorados, e depois ela casou-se com Chespirito) e profissionais, especialmente relacionadas aos direitos do personagem Kiko, cuja autoria era reivindicada tanto por Carlos quanto por Bolaños.
Assim, não foi surpresa quando Kiko não foi convidado para a festa. Claro que, pelos trabalhos prestados ao longo dos sete anos em que atuou em Chaves, Villagrán merece estar não só entre os convidados, mas também entre os homenageados. Acontece que, ao longo de todas essas décadas, o ator vem soltado desaforo atrás de desaforo contra seus ex-colegas, em especial o Chespirito, hoje falecido.
E, na ocasião da festa dos 40 anos de Chaves que estava sendo organizada, Kiko disse que toparia participar, mesmo que isso significasse reencontrar seus “desafetos”.
A declaração de Carlos Villagrán, que causou a maior repercussão na imprensa, foi a seguinte: “Eu iria à Televisa, o mais bonito do ser humano é não guardar rancor apesar de todo o mal que lhe foi feito, mas sempre há justiça. De uma forma ou de outra você paga”.
O que será que ele quis dizer?
Quando ele deu essa declaração, o que a imprensa deu a entender é que o Kiko estaria disposto a pedir perdão por ter chamado o Chespirito de trapaceiro, e por tudo o que disse nesses anos todos. Não foi isso. Villagrán nunca se mostrou “arrependido”, nem esteve disposto a pedir perdão. O que ele quis dizer é que ele estava disposto a perdoar. Entendeu?
A contenda envolvendo Quico e Bolaños apenas se resolveria se os dois fizessem uma conciliação, ou seja, com cada um abrindo mão de alguma coisa que acha que merece para no final todos saírem ganhando. O tempo passou, Chespirito morreu, e não houve reconciliação alguma.
No ano 2000, o público foi surpreendido e se emocionou ao ver o primeiro reencontro dos dois atores, numa homenagem feita pela Televisa ao Chespirito. Os dois se abraçaram e sorriram bastante, mas no final, quando as luzes se apagaram a surpresa: eles não tinham feito as pazes. A reunião foi uma armação da Televisa, e eles não foram realmente encorajados a ficar de bem.

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