Crítica: “Strangeland” é o álbum definitivo da banda Keane

O Keane surgiu para o mundo em 2004, com um álbum que me faltam palavras para descrever: Hopes and Fears. É, de longe, o melhor disco de todos os tempos. “In my opinion”, como diriam em The Good Wife.

Durante todos esses anos, que antecederam Strangeland, o Keane ia vivendo a sua vida, os fãs também, até que em 2011 veio aquele que seria o último álbum da banda.

Logo de cara, quem julga o livro pela capa deve ter tido deliciosas recordações ao se deparar com a arte do CD: aqui, o logotipo da banda é o mesmo utilizado em Hopes and Fears, lá em 2004. De uma simplicidade imensa. E o título, Strangeland, vai ainda mais fundo nas lembranças: nos remete a We might as well be strangers, um dos singles que marcaram H&F. Prova de que eles curtem uma estranheza é que daí eles tiraram o título de seu primeiro DVD: Strangers, lançado em 2005.

Abertamente, “Strangeland” não promete nada, mas cumpre tudo o que dele se espera. É, na verdade, um trabalho formidável, uma verdadeira volta às origens. Um despretensioso Hopes and Fears 2“. A própria capa, talvez sem saber, deu esse ar. Acho que ninguém, àquela altura do campeonato, esperava por isso. Os álbuns antecessores saíram do caminho que eu imaginei que seria trilhado depois de H&F. Não reclamei, não chiei, continuei acompanhando. E curtindo, porque nesse meio-tempo eles nos trouxeram músicas inesquecíveis, como Crystal Ball, Hamburg song, The frog prince, pra citar só algumas.

Agora, receber de bandeja um “Strangeland“, quase 10 anos depois, foi um presente inestimável. Eu adorei o disco, do começo ao fim. Traz boas lembranças, nos aproxima mais do Keane, mostra o que é a evolução de uma banda. Somando H&F com Under the iron sea (2006) e Perfect Symmetry (2008), tínhamos três álbuns completamente diferentes. E, pra ser sincero, não era um “diferente” no bom sentido. Chegava a incomodar. A tal da identidade meio que se perdia. Mas o que fazer pra não se repetir, e ao mesmo tempo oferecer um trabalho digno dos velhos tempos? A resposta é Strangeland.

Pra mim, “Strangeland” é, inegavelmente, o sucessor de direito de Hopes & Fears. Fez um merecido sucesso, embora módico, pois o grupo nunca foi uma explosão mundial. Enquanto, o Coldplay  seja muito mais popular, o Keane permaneceu na dele, mas soube dar uma volta por cima daquelas. Daquelas. Simplesmente a melhor volta por cima: aquela de quem nunca esteve por baixo.

Em geral, os críticos profissionais (aqui eu não me incluo) fizeram avaliações muito positivas e a repercussão ao redor do mundo tem me surpreendido!

Pra quem se interessou por  “Strangeland”, seguem as avaliações da equipe fonográfica do Não Deixe, liderada pelos nossos estagiários de nível médio Marco Camargo e Rick Bonadio. Tentamos manter a imparcialidade e não atribuir notas superiores a dez, para não virar bagunça. Mas foi difícil, hein!

Mas faça o que fizer, não deixe de ouvir, no mínimo, Sovereign Light Café. E depois todo o resto.

1. “You Are Young” Nota 9.0/10
2. “Silenced by the Night” Nota 10/10
3. “Disconnected” Nota 10/10
4. “Watch How You Go” Nota 10/10
5. “Sovereign Light Café” Nota 10/10
6. “On the Road” Nota 10/10
7. “The Starting Line” Nota 10/10
8. “Black Rain” Nota 9.5/10
9. “Neon River” Nota 10/10
10. “Day Will Come” Nota 9.5/10
11. “In Your Own Time” Nota 10/10
12. “Sea Fog” Nota 8.0/10

Faixas adicionais da Deluxe Edition

 

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