Crítica: A Malhação que tentou ser Skins

Malhação: Intensa como a vida (20ª temporada)
Nota: ★ ★ ★ ★

Digam o que quiserem, mas a 20ª foi uma das melhores temporadas de Malhação até hoje, apesar de alguns pesares.

A audiência não foi à altura, e muito disso se deve ao fato de que a novela vinha de algumas temporadas terríveis.

E nem venha cuspir a no prato que comeu! Lá no fundo você sabe que um dia já foi telespectador daqueles jovens descolados que, rebeldes que só eles, tomavam seus sucos no Gigabyte, davam um gole e deixavam o resto no copo. Yeah, fuck the system.

Até na abertura se via que a proposta da Malhação: Intensa como a Vida (esse é o título oficial) era se aproximar de Skins. E, considerando os padrões da Globo (que censura até novela das 9), essa temporada foi longe. Teve periguete assumida e até um garoto gay (no final ele apresentou um namorado, mas foi algo muito sutil, que eles deixaram subentendido).

Teve também uma bizarra troca de protagonistas. Saiu Guilherme Prates (Dinho) e entrou Guilherme Leicam (Vitor), mais pelos seus olhos azuis e pinta de galã do que por qualquer outra coisa — mas Leicam deu conta do recado.

Outra coisa bizarra foi a morte de Marcela (Danielle Winits), uma personagem querida do público. Aqui foi porque a atriz foi escalada para Grey’s Anat… digo, Amor à Vida.

Essa foi, talvez, a geração que mais se aproximou dos jovens de seu tempo. Pra começar, os atores eram verdadeiramente adolescentes, ou aparentavam ser. Hoje, muitos deles seguem fazendo sucesso, como Ágatha Moreira.

Em outros anos, o elenco era visivelmente repleto de atores maiores de 20 anos.

Eu sei que é difícil para a equipe da novela/série fazer algo realista. Você talvez não acredite, mas a maior parte dos telespectadores de Malhação não são os jovens, mas as… donas de casa. Sim. As donas de casa. E elas formam um tipo de público mais conservador, que não gostariam de ver os jovens em situações de maus exemplos, como bebendo ou falando palavrões.

Pra ser sincero, há anos não acompanho Malhação, seja por falta de interesse ou por falta de tempo. Para essa temporada, o que me faltou foi tempo. Sempre que parava pra ver, saía com uma boa impressão.

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