Além dos Thundercats: Seis desenhos clássicos que ganharam novas versões e causaram polêmica

A internet veio abaixo quando o Cartoon Network anunciou que iria produzir Thundecats Roar, uma nova série dos famosos felinos alienígenas, e as reações foram as piores possíveis: muitos fãs do desenho, que foi uma febre nos anos 80 e 90, estranharam estilo infantiloide dos personagens, que originalmente eram mais realistas.

Só que o olho de Thundera dos fãs saudosistas não estão atentos apenas à mudanças nos gatinhos antropomórficos, pois está os canais de TV vêm ressuscitando outras séries animadas, pois aparentemente é isso que as pessoas querem, mas modernizando o estilo artístico de cada uma. E é aí que mora o problema.

Vejam outras séries animadas clássicas que também ganharam reboots e causaram discórdia:

THUNDERCATS

Thundercats (1985-1990) foi um enorme sucesso mundial, inclusive no Brasil. A série original, exibida ao longo de quatro temporadas e 130 episódios, tinha uma estrutura mais sombria, apesar do forte apelo com o público infantil.

O primeiro reboot de Thundercats veio em 2011, produzido pela Warner Bros., que teve uma excelente recepção dos fãs e da crítica. Eles elogiaram, inclusive, a fidelidade as traços da série clássica.

Diferente de Thundercats Roar, a segunda versão do desenho era ainda mais adulta do que a anterior. Porém, apesar das suas qualidades, a baixa audiência levou ao cancelamento da série, que teve sua quantidade de episódios reduzida.

TARTARUGAS NINJA

Essas já passaram pelas mãos de tanta gente, e já tiveram tantas versões, que a gente quase perde a conta. Mas fizemos um resuminho básico.

Os personagens surgiram nos quadrinhos em 1984, viraram brinquedos, e só então chegaram à TV, em 1987, virando um fenômeno mundial quase instantâneo, tanto que já em 1990 lançou o seu primeiro filme para os cinemas, em live-action (com atores reais), que estreou em primeiro lugar nas bilheterias e deu origem a uma trilogia, sendo que os dois últimos filmes foram recebendo críticas cada vez piores.

A série animada original teve 193 episódios divididos em 10 temporadas, que foram exibidas até 1996. 

No ano seguinte, Haim Saban, o pai dos Power Rangers, fez uma série em live-action das Tartarugas Ninja, que se passava no mesmo universo da Alameda dos Anjos. Tartarugas Ninja: A Próxima Mutação (1997-1998) teve só uma temporada, e foi cancelada.  Já naquela época eles tiveram que lidar com fãs chatos: o público não aceitou a introdução de uma nova personagem, a tartaruga fêmea Vênus de Milo. Ela nunca mais foi mencionada em nenhuma outra produção relacionado à franquia.

Menos de 10 anos depois, veio o primeiro reboot da série animada: em 2003, estreou Tartarugas Ninja, mais adulta, prometendo uma maior fidelidade aos quadrinhos. Foram 7 temporadas e 156 episódios, que duraram até 2009. Recebeu críticas mornas, porém positivas, mas quase ninguém fala mais dessa série.

A Nickelodeon adquiriu os direitos dos personagens em 2009, e lá veio mais uma versão, que também não repetiu a mesma febre dos anos 90. Tartarugas Ninja (2012-2017), feita totalmente em 3D, durou até o ano passado, quando veio o anúncio de que seria substituída por uma nova versão.

Aparentemente o mundo não vive sem as Tartarugas Ninja, e lá vem “Rise of the Teenage Mutant Ninja Turtles”, que dessa vez radicalizou legal e mudou completamente o visual de todos os personagens. Ninguém gostou. Ficou muito feio.

AS MENINAS SUPERPODEROSAS

Elas estouraram mesmo nos anos 2000, mas chegaram ao mundo um pouco antes. A série original das heroínas de Townsville estreou em 1998 e foi até 2005, com 6 temporadas e 78 episódios.

Viraram anime com As Meninas Superpoderosas Z  (2006-2007), que só teve uma temporada.

Em 2016, o Cartoon Network resolveu fazer um reboot da série e as mudanças nos traços foram apenas pontuais. Por outro lado, o elenco de voz foi todo substituído, medida que foi adotada também em outros países, inclusive no Brasil, que trocou todos os dubladores do desenho. Tara Strong, que fazia a voz da Lindinha, disse que foi uma “punhalada no coração”.

A maior polêmica dessa nova versão, porém, não foi nem isso, mas sim a introdução de uma quarta menina superpoderosa. Negra e mais velha que as irmãs, Estrelinha (Bliss) foi simplesmente massacrada por justificativas que iam desde “ela é grande e velha demais” até “não precisava de uma quarta menina superpoderosa”, com poucas pessoas mais sinceras com a coragem de dizer que não gostaram da personagem porque ela era negra. Teve muito racismo velado, sim, embora tinha gente reclamando só por chatice mesmo.

 

DUCKTALES

Clássico das manhãs do SBT, Ducktales (1987/1990) teve 4 temporadas e 100 episódios. A abertura, cantada por Luis Ricardo (das propagandas do Baú da Felicidade) continua sendo um hino atemporal.

Seu reboot estreou no ano passado, com o primeiro episódio exibido pelo Facebook do canal Disney XD. Os traços mudaram, mas com respeito. Lembram um pouco o também clássico TV Quack Quack (que passava no Disney Club, lembra?), que pela primeira vez distinguiu Huguinho, Zezinho e Luizinho indo além da cor do boné; e se aproxima do estilo retrô da incrível série Mickey Mouse (2013-presente), que traz animações de 4 minutos estreladas pelo rato mais famoso dos desenhos.

A nova versão de Ducktales tem recebido excelentes avaliações da crítica.

MUPPET BABIES

Lembra deles? A série clássica Muppet Babies (1984-1991) era exibida nas manhãs do SBT e teve 107 episódios distribuídos ao longo de suas 8 temporadas.

Agora detentora dos direitos dos personagens, a Disney resolveu rebootar o desenho e estreou seus novos episódios em março deste ano no seu canal Disney Junior. A nova série também causou estranheza nos fãs saudosistas, que condenaram o uso de computação gráfica na produção dos episódios, o que compromete a qualidade da animação – até porque não é um 3D do nível Frozen, e sim algo mais próximo de Thomas e seus amigos.

SCOOBY-DOO

Desde quando surgiu, lá em 1969, o dogue alemão já esteve em trocentas séries, filmes e produtos agregados. E com polêmicas no meio do caminho, sim, como a criação do seu sobrinho Scooby-Loo, visto como irritante e desnecessário pelos fãs da época.

Com Que legal, Scooby-Doo (Be cool, Scooby-Doo), os passageiros da máquina do mistério ganharam caras novas, e nem ficou tão ruim assim, mas tem gente reclamando até hoje. Essa série já foi encerrada – começou em 2015 e acabou em 2018, durando 2 temporadas e 52 episódios.

Para 2019, o Cartoon Network promete lançar outra série – porque também não vivemos sem Scooby-Doo -, que será chamada Scooby-Doo and Guess Who?. Ainda não sabemos como serão os traços, mas já sabemos que alguém vai reclamar.

Comentários no Facebook